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sábado, 6 de julho de 2013

rouca

Arte de APOLO TORRES
eu sei, seu moço
que ando moça de pouca prosa.
sabe que é seu moço?
tenho voz, mas ainda assim tô rouca.
sei não, seu moço
sendo vó, sendo mãe
sem saber dos meus nós
sei dos passos que não dei
dos que me esperam
e sinto assim, tão só.
mas vem vindo tanta gente
os amigos explod'em vida
e costurar o meu caminho
nessa colcha, co'esses fuxico
com a linha da dúvida
no compasso da incerteza
firme feito prego no angu.
eu sei, seu moço
mas se assossegue
que não é nada concê.
seu moço, o caminho é grande.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

trespontasdoida

sinto falta do seu céu
e da luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como aí.
sinto falta do andar leve nas ruas
o pôr do sol mais lindo que já vi
seja na solidão das tardes adolescentes no cemitério, 
seja na companhia dos bons no altos dos seus morros. velhos.

Três Pontas doida: você não cabe no calendário.
Doida. Berço. Lar.
Contradição pura. 
Sair para poder voltar.
Voltar pra poder voar.
Estar e crescer

Teus passos tortos. mandos e desmandos e donos numa ladainha que já conta séculos.
o velho insistente café nas estradas.
meus parentes com cadeiras na calçada.
do roque aos pagodes que cantam no meu quintal alugado.
três pontas pretas:

do preto velho, santo católico, anjo e espírito de luz. que comove gente simples noutro dia que tres pontas vibra povo, gente, suor mais do que nas solenidades do inverno. Preto vitor que celebra a primavera dos povos cantado pelo outro preto Milton que aí cresceu e sabe subverter em canto de luta suas lembranças do catolicismo mineiro. Preto café nas xícaras dos que acordam antes do sol para a panha. Preta de tanta gente nas periferias. Preta na imagem do santo nas lojas do comércio.
Doida da praça que tem de um lado o eterno antro do rock e a igreja imponente da cidade. Ambos já testemunharam seus carnavais: corpos pelo chão, cortejos de alegria e fé.

Três
pontas doida.
Seus músicos, sua arte.
sua gente de salto e botique
sua gente invisível
sua arte de existir.

Salve, minha terra.
nossa terra. terra de todo mundo e quem se aprochegar.
Salve.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

tomada

alguma coisa de fato está errada: andando feito barata tonta, procuro dois buraquinhos na parede. pudera ser só eu. na rodoviaria carioca, a tomada é artigo de luxo e cobiçado. As quatro da manhã os corpos oscilam entre os que se encolhem em sono proibido, curvos sobre malas e bolsas ou os que estiados no chão se ligam a outros mundo pelo fio que vai da tomada a um aparelho qualquer.
compro uma água, um desodorante e caminho sem perspectiva de achar uma tomadinha que seja. as bandeiras do Brasil inundam cada misero detalhe do lugar - nao.. é só impressao minha.
tomada encontrada. plug. ao meu lado uma mulher dorme. do outro lado daonde leva o fio,acordo meu irmao: "cheguei".
esqueço a enorme bola de futebol que decora o hall e o mundo vira uma pequena tela. os dedos velozes. mas ainda ouço a respiraçao dos sonolentos e a agonia dos insones.  - insisto em viajar sem fones de ouvido. talvez minha antropologia seja praticada na escuta da musica do cotidiano. ouvir?

do outro lado da tela vejo um pouco do que ignorei nesses dias de caos sentimental: tetra no maraca: treta fora dele. greve de patrao anunciada em rede social..  "os fiscais da revolução estão bravos com a seleção" . ai se fosse assim tão simples.

cinco da manha e o barulho ao redor aumenta. os passos acelerados. rodinhas. conversas. o guiche abre. uma mulher de unhas confeitadas se alegra por encontrar uma tomada ao lado da minha desocupada.

que que eu sei?
escrevo linhas inuteis de uma paisagem qualquer enquanto espero a dor passar. o encontro acontecer.  lerão essas linhas com a mesma fome que devoraram as outras? uma confissao confusa. um desabafo sem sentido.
ao meu redor está deserto e o barulho sufoca. falta/sobra cheiro nessa rodoviaria. e eu que ate outra madrugada julgava a hipocrisia das pessoas por nao gostarem de dar às coisas seu devido nome, ainda estou desconcertada e sem rumo com a franqueza de meu companheiro. vinte prasseis.
a rodoviaria do rio acordou.
meus demonios vao devagar terminando a despedida. acordaram numa sexta e foram exorcizados numa gira infinita regada de alibis.
a fila do guiche ao lado ja me atropela. amanheceu?

espero que do outro lado dessa tela o negro tenha encontrado no sono paz.

me levanto. desplugo-me da tomada. publico novas linhas inúteis e vou.

sábado, 29 de junho de 2013

não sei se foi número certo...

riffies era pouco. queria mais. na noite passada, era um piano de cauda/calda todo seu. notas infinitas teciam. o desconfortável era que junto delas vinha todo um passado inesperado. de repente, a vida eram lances de escadas e andares de shopping center qualquer e a saída dali não custava menos do que ouvir as lamúrias de um amor do passado. se não pode aparecer em carne osso, ok. que se desfaçam as lamúrias ali no reino de morpheu.
do meu lado uma deusa negra, bruxa, intensa. ela que sabe dos cavaleiros que a cerca. eu só ouço, vigio. mal sei de mim.
ainda vivo no descompasso do sonho. justo eu, que queria tanto acordar.
acordar pra quê? arrumar a casa, tirar as coisas do lugar, botá-las em plásticos, endereçar.

o sonho fica latente.
hoje é sexta? às 16:30 sai o ônibus pra ribeirão.... pra onde?
já tem meses que os ônibus levam é pra lapa, santo amaro, socorro. bom retiro.

hoje faltou carona. uma ova.
hoje, foi na medida.
o que vim fazer nessa cidade afinal de contas?

ouvir as canções prediletas. são poucos quarteirões, oras.
engula a comida de anteontem com novos condimentos. hoje a noite é de entornar: e morpheu só reafirmar.

mas imagens dele... há teclas, abraços, o colo e não há fim.

fora dali, há/a poucos quarteirões.
"quem são eles afinal?"


Para além do mundo dos cliques, as ressonâncias nos corpos: familiaridade antiga. sorriso e hospitalidade: viemos.

ao fundo, cantam-se o canto de xangô! salve, oras! hoje foi dia de comer quiabo.
pôsteres, cartazes. jardins suspensos. livros na vitrina ao lado do balcão do goró: um Jaques Danieis: hoje os daniéis foram tantos... Cowboy, por favor. - que gelo faz mal pra garganta. e a água atrapalha o rolê do goró.


ah, helena! isaurinha... tempestade. cabral capa de disco.
rárárá.
grandes sucessos: a música da mulher morta.  - de fato, ela podia ser qualquer maria, maria.


bis. dj não tem bis?
dançamos toda a verdade de existir. e respirar é mais quando se canta e dança... e há verdade em ali estar.
rodando, rodando, rodando, rodando, rodando...

o tocante só toca não dança?
tá bom. o aconchego. morpheu tinha razão.

caranguejos são diagnosticáveis. paciência.

papéis. cartazes. tanto faz.

literalmente, passo torto nas calçadas em direção à clélia. ora pois. - a viagem é daqui a poucas horas.

o sol negro dorme ao meu lado.
mandei um postal relembrando dos passos do samba parceiro - será que chega? senão, paciência.

posso dizer ao fim: "era só whisky, cão engarrafado".


meu gato, leon, não entende patavinas. sou só uma Felícia.

entendi o que vim fazer aqui.

o louco. o zero.
são paulo.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

antes era só um trem

(dê play e leia)

o trem vai pela terra
vai pela serra, pelo ar
pelo concreto, asfalto e gente
entorna pelas ladeiras e entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão: a gente é gente
gente, gente.
Vida de boi, de gado, junto suado
exprimido: "Cê mora em São Paulo?
Já sabe empurrar no metrô?"

Seis da tarde: a mais triste das horas cristãs:
melancolia da morte do filho de deus:
"Pai por que me abandonaste?"

Somos tantos ombos, braços, pernas, bolsas
fones de ouvido. zumbido, silêncio.
testa franzida

o que são 20 centavos?
não é qualquer desatenção: é a gota d'água.

Salta do trem, do metrô, dos vagões, das escadas rolantes e esteiras que aceleram
o passo torto.

Vem pra rua! - e isso nem é propaganda da TV.

É gente. É povo. É canto.

"Se a tarifa não baixar olê, olê, olá
a cidade vai parar!"

"pula sai do chão contra o aumento do busão"

os pés no asfalto marcham
mar de gente: navegação

Bandeiras tremulam esperanças e ordem

o trem. trem. trem. busão. vagão.
locomoção.

Queremos espaço.
queremos andar, respeito, passar,
livremente.

Fazer valer o adjetivo do nome: PÚBLICO.

Febre interna se alastra: outros pés querem marchar.

Brasil agora é um ponto vermelho no mapa dos povos em chamas.

Podia ser 63, mas não é.

O passado vem à baila como canção e
memória que arde e movimenta o
andar do presente. Pra onde ir?

Bonde da trilhos urbanos saiu dos trilhos.
o trem de doido tá lotado
(e sempre cabe mais gente)

Choque. Bomba. Boom!
Coração, ato, amor.
Fúria, ação, pavor.

"Moço você paga tarifa: abaixa o cacetete
e vem pro lado de cá"

Podia ser 63, mas não é.

Violão fraco e rouco não cansou de chamar:

o samba tão imenso transborda as calçadas e praças do país e toma as ruas.

Antes era só um trem.

Agora é o próprio movimento.



17 de junho de 2013, antes das 17hs.


Texto lido durante o  II Ciclo de Estudos Discursivos
realizado pelo GED coordenado  por Luciane de Paula
na FCL da Unesp de Assis
enquanto Trenzinho Caipira era executada por Patrick e Jéssica (piano e violino)
Camila e Nicole na voz.


o sol de dez paus.

hoje o sol veio visitar.

há dias a melancolia sufoca, paralisa
e a chuva só faz preguiçar.

na verdade,
o sol chegou ontem à noite.
em realejo.

o sol trouxe papeis.
todo inquieto,
sugeri que escrevesse
escrevesse, freneticamente.

o sol é negro
tem cachos e inquietações.

dormiu na minha cama
comeu da minha comida.
me ouviu cantar
e benzeu a noite
encanto de gente
em canto de mar.

hoje ele invadiu a janela.
o quarto iluminado pedia por vida

hoje o sol era fogueira com dez paus
eu era um pajem.
com minhas espadas
fiz ventar a casa
embora vai a poeira
(que haja espaço para o novo)

hoje o sol quarou as roupas no varal.
hoje o sol se resolveu com os papeis.

hoje deixamos o mais pra depois.

eu e o sol.
e como ele ainda resiste na boca da noite
hoje sambaremos noite a dentro.
eu
e o sol.

terça-feira, 25 de junho de 2013

cronistas da cidade que entortou o passo - e foi pra rua. (parte I)

     Nos anais da História, São Paulo será lembrada como a cidade que iniciou a onda de manifestações que desencadearam a isso que chamam agora de "Primavera Brasileira", o "OGiganteAcordou". Será lembrada assim dentre muitas outras coisas. O aumento da tarifa, o MPL, os 87 ônibus quebrados, a PM truculenta ferindo jornalistas e o boom do histórico 17 de junho. Os 20 centavos que fizeram os brasileiros criarem um tesão irreprimível de ir às ruas gritar que estavam de saco cheio.
    Mas o que falarão das músicas que se cantava naquela cidade, a maior do país? Há muito o que dizer. Mesmo. Eu faço uma escolha - que não é nada imparcial. Trago aqui a trilha sonora que me traduziu São Paulo quando vir morar aqui estava definitivamente fora de cogitação: "Passo Torto".
    É fato que não cheguei no "Passo Torto" por acaso. Amigos queridos e próximos já tinham e me mostrado dois álbuns também na lista "do que se cantava na São Paulo dos anos da Revolta do Vinagre": "Metá-Metá" e "Um labirinto em cada pé". Ambos mereceriam para si brisas imensas e lindas. Destaco aqui alguns elementos que me ajuda a pensar no "Passo Torto".
     Em "Metá Metá", estão Thiago França, Juçara Marçal e Kiko Dinucci - e este ultimo com algumas declarações interessantes coloca em debate a questão da autoria e parceria dos álbuns: "por que "Galos de Briga" não poderia ter sido assinado por "João Bosco e Aldir Blanc?" Kiko traz essa característica da parceria em toda a sua obra até aqui. Trabalho coletivo assinado coletivamente. Seja com Douglas Germano (Duo Moviola), ou o "Na Boca dos Outros", o Bando Afromacarrônico... sem contar suas parcerias com outros músicos por aí a fora.
    Essa característica está no "Passo Torto": Kiko está ali autoral nos arranjos, composição, interpretação, produção, tanto quanto, ou com mesmo peso "protagonista" que Rômulos Fróes, por exemplo - que assina "Um Labirinto em cada pé". Junto deles estão ainda Rodrigo Campos, parceiro de Kiko noutras viagens, com seu cavaquinho de São Matheus (com ele eu descobri que "São Matheus não é um lugar assim tão longe") e ainda o baixista-produtor Marcelo Cabral - que também tá no balaio de muita gente, como por exemplo, num dos melhores discos não só da pauliceia, mas de todo o "gigante" "NÓ NA ORELHA" do menino rapper Criolo (Doido).

    Comecei falando das parcerias e da assinatura do álbum como um disco dos QUATRO, do "Passo Torto", uma reunião específica de músicos que costumam trabalhar juntos em diversos outros formatos, porque isso não é aspecto pequeno da forma-conteúdo da existência do disco. Ao contrário. É o que o faz ser tão brilhante. Não há ali uma "banda", mas uma reunião de vozes autorais, as personalidades mescladas e lincadas para a construção de um álbum que é de fato algo maior que os quatro.
 
A abertura do álbum são alguns ruídos ao fundo... distorção da guitarra com o ampli? o arco do baixo de Marcelo Cabral se arranhando noutros espaços? Então vem o riff marcado, grave, de violão. Insistente. É um aviso, uma fala, com começo meio e fim. Entrecortando-a vem o cavaquinho salientando alguns pontos. Até que o arco nas cordas do baixo em estacato criam o clima do anúncio do canto, que só vem depois de um minuto de clima: "Passei na frente da sua casa..."

"A música da mulher morta" é uma crônica lacônica. Dinucci anuncia o canto que compartilha com Fróes: "passei na frente da sua casa" A conversa é com a mulher morta. O corpo coberto. A calçada manchada. São fragmentos de frases e descrições, mas está tudo ali.

passei na frente da sua casaaaaaaaaa....

e então a questão: não sei se foi número certo ou na hora errada. Que mulher morta é essa? toda e qualquer uma? O enunciado banal "ah, passei na frente da sua casa", mas não vi ninguém, mas tava tudo fechado, mas... mostra a banalidade da morte. É esse o seja-bem vindo a São Paulo.




Se a gente dá o primeiro passo no escuro, sem saber do número certo ou da hora errada, o tour agora começa especificar seus lugares, afinal de contas "Da Vila Guilherme até o Imirim" é um-dois. No ponto de ônibus, é o ônibus. Rodrigo Campos e Rômulo Fróes dividem o canto tranquilo do eu lírico para "seu amor" no ponto de ônibus. Ao fundo das frases melódicas extensas, com notas alongadas "veeeeeeeeeeeeeeeeem cá", os riffies inquietos. A imagem sonora do amor no ponto de ônibus. na rua. no movimento. no caos. 




A leveza da poesia do ponto de ônibus, fica pra trás. Os riffies que anunciam a terceira faixa são tensos logo de cara. Agora foi o metrô quem chegou: estação Faria Lima. E chegou tem pouco tempo. Rodrigo Campos está fazendo crônica da recém chegada Linha Amarela perto da sua casa. "Havia o bar do João e hoje tem uma estação". Que a história que rememorar esse disco se lembre de contar que a Linha Amarela não cumpriu com nenhum dos prazos estabelecidos de entrega das obras e ainda registrou graves acidentes de trabalhos. Projeto de longa data que vem engatinhando e até agora não se concluiu. Mas a chegada do metrô dobrou o preço do aluguel:

 "Foi quinhentos até um
Dois mês atrás
Quase o dobro
Tá difícil descolar"
"
 Muitas vezes as próprias vozes se confundem: seria o canto entoado na frase do riff, ou o riff que toca o canto? Nossa correria é reflexo da cidade, ou ela corre porque a gente só faz correr?




a poesia dura, concreta e crua de "É mesmo assim". Curto. Grosso. Os pedaços sintéticos das emoções lacônicas: do dia lindo, dias D, dias de Dia, de solidão, de apelo: "diz que não".

"Dia lindo
Olhos negros
Cordilheira
Solidão
Dicionário
Desemprego
Desespero
Diz que não
Vaca preta
Carabina
Urubus
Cidadão"




Com quantos silêncios e sussurros se faz um Cidadão? Uma das faixas que mais gosto. Me engasga. Me dá vontade de chorar, ao mesmo tempo que me faz flutuar numa leveza entorpecente. O canto que responde essa canção não é a poesia dos versos curtos: é prosa. é narração. Não é "o" cidadão. é "Cidadão", assim sem artigo. Sem definição. Mas com descrição detalhada: esquizofrênico. "Às vezes lúcido, infeliz, conforme a luz, conforme o dia".  Como se veste, o que ouve, o que dança. A colcha de retalhos: rap-samba-rock, Dylan-Chico-JamesDean-BruceLee.


Cidadão ganha artigo indefinido no refrão, menos falado, menos em prosa, a conclusão do processo - aqui, onde eu lírico se posiciona diante da personagem narrada:

Meu bairro nunca foi igual ao bairro de nenhuma estória
E tem seu próprio carnaval, um cidadão nunca vai ser igual

Cidadão nunca vai ser igual. Não é pedido e nem questionamento. É conclusão. É o que temos pra hoje: "um cidadão nunca vai ser igual"







A cidade está cindida. Cidadão nunca vai ser igual a quê? A quem? As linhas do transporte público percorrem toda cidade, mas quem por ela anda? São Paulo é uma cidade acessível a todos? Essa imensidão de cidade, mal explorada por seus habitantes... A organização que puxou o primeiro de sete atos na grande São Paulo em junho de 2013 é o Movimento Passe Livre, que tem como objetivo maior de militância a Tarifa Zero nos transportes públicos, entendendo o direito de ir e vir como um direito social que deve ser garantido pelo Estado. Não. As pessoas que ali estavam não gritavam pela tarifa zero, mas pela pauta pontual de redução da tarifa que aumentara de R$3 para R$3,20. Os tais 20 centavos. 
Com a tarifa reduzida, muitos dos que se somaram à luta durante as manifestações que se alastraram pelo país olham agora para o projeto Tarifa Zero e pensam: "é impossível"... A questão muito bem colocada pelos militantes do movimento é que o transporte coletivo que seja de fato público possibilita com que as pessoas tenham de fato acesso à cidade em que moram, acesso a todos os outros direitos, sem o apartheid urbano, um lugar onde de fato os trabalhadores que constroem essa cidade, possam se movimentarem nela...  

Uma questão de poder e de se sentir pertencente a.

Samuel, por exemplo, nosso personagem da canção homônima que se segue.
Por que Samuel nunca foi ali? A crônica do menino da periferia desbravando pela primeira vez a cidade. 


Diz, Samuel como é que foi?
Por que cê nunca veio aqui?
Quem te prendeu, quem te impediu?
Qual o foi o muro que subiu?
Por que não atravessou
Nunca pro lado de cá
Ó lá o metrô
Já vai fechar... 







aqui é como se a gente virasse o disco. 
eu ao menos viro e volto num outro post para comentar 
a escuta das cinco canções restantes, além de indicar
leituras sobre o passo torto que agora é elétrico.