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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

o arqueiro

mede o mundo
com a própria régua.
régua justa 
rigorosa régua.

medida certeira
mas certos são desiguais
a carruagem anda lenta
e cada um sabe
da dor que é 
se reinventar
pra ser o que é.

cabe confiar.
despir-se.
entregar ao Tempo - grande alquimista.
esperar que a miudeza do que é relativo
se esfarele diante da intensidade
do que é Verdadeiro.

a roda é grande
e roda

e não para
e leva a gente
de asfalto e gente
lá se vai...
mais
um
dia.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

pensa num cara... de 100 anos.

Imagina uma pessoa que nasceu em 1913. A família da mãe adorava uma seresta. A própria mãe tocava piano. Os tios viviam "vadiando". O pai era chegado nos versos. Foi estudar em colégio rigoroso. Imaginem que o menino respirou ares integralistas na universidade ao mesmo tempo em que cantava marchinhas inéditas no Carnaval. - as mesmas que hoje em dia a gente repete nostálgico de um passado que a gente nem viveu.
Não era muito difícil entender que o menino resolvera fazer Direito - um dos cursos mais frequentes dos poucos do começo do século passado. Ele tinha sua turma de amigos e gostava de cinema e conversava com os amigos sobre. - queria ser cineasta.
Mas desde cedo roubava os versos do seu pai pra dar pras namoradinhas - é gostava de mulher e como! E então publicou seu primeiro livro de poesia antes mesmo de se formar. Só com 20 anos.
E foi aplaudido. A comunidade católica gostou - afinal menino fora formado em seu ambiente.

Menino lança outro livro e tal e coisa e arranja uma bolsa pra estudar literatura em Oxford. Acho que foi de tanto ler os sonetos de Shakespeare no original que ele desembestou a fazer os mais belos sonetos que a língua portuguesa conhecera desde Camões. Um soneto a la ingleses e não como era a moda francesa aqui no Brasil.

O menino era libriano. Doido. Casou por procuração acredita?
de volta ao Brasil precisava começar a trabalhar, moço de família. E o convencem ao tal do concurso público (pouco mudou de lá pra cá). E na época se passava no Itamaraty por concurso. E passou. E seu primeiro posto foi nada mais nada menos que nos EUA.  Um doce nas mãos da criança. O fanático por cinema ficou pertinho, pertinho de Orson Welles e de Hollywood.

O menino, que agora já era um homem de família com filha e tudo mais, ouvia Jazz. Foi conhecendo a turma que fazia aquele barulho maluco, filho do blues. Imagina então um cara que testemunhou de perto o racismo norte-americano? bem diferente do nosso? Viu um menino negro ser morto porque assoviara pra uma mulher branca. Soube da história de uma cantora negra que morreu porque não a receberam no hospital de brancos pós acidente de carro.

Um homem que viu a II Guerra começar e assombrar o mundo. Escrever crônicas sobre o desejo de paz, mesmo tendo aprendido com o livro do Eclesiastes que existe "tempo de guerra, e tempo de paz".

Imagine um homem que precisou viajar com um gringo pelo Brasil a fora para cair em si de que o seu país era um lugar repleto de contradições e deixar de andar à direita integralista para dar passos mais avermelhados à esquerda.

Imagine então um homem que vai pra França e lá encontra um cara maluco pra produzir alguma coisa de cultura brasileira. E aí esse homem se lembra de uma noite em que ouviu a batucada vinda do morro e baixou nele a vontade de transpor o mito de Orfeu pro morro carioca? O amigo ficou maluco e fala pro homem: poxa, bora filmar isso! e aproveita pra montar essa peça de teatro no seu país, uai!

O cara então um poeta respeitável, diplomata ainda por cima, comete a ousadia imensa de levar pros palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro um elenco de atores negros. E ali era só o começo da ousadia. - da qual sai endividado. O homem lembrou do menino que sempre gostou muito de música. E já que a peça era sobre um músico, por que não escrever os versos também a serem cantados? E por que não arrumar um parceiro pra musicar?

O homem então - que já era poeta, cronista, crítico de cinema, diplomata - vira definitivamente um compositor popular. Poesia e Música: Orfeu.

E aí então seus versos ganham os versos mas também os palcos. Ele vai brigando com o terno e a gravata e cantando...O homem então repleto de amigos faz música com gente viva, gente morta - nem Bach escapou. Faz música até sem saber que faz: musicam ele. O menino criado cristão agora era homem que canta orixás.

A essa altura o homem perde o emprego. Vira showman de vez. A essa altura o cara já casou um monte de vezes. A essa altura botaram o nome dele na reinvenção da música popular. A essa altura já tão falando mal dele: era um baita poeta e agora fica aí fazendo musiquinha com esse menino novo.

Muda pra Bahia. Fica mais chegado ao povo de Santo.
Imagina só um homem que fica falando por aí que é o branco mais preto do país.

Pensa num cara que casa nove vezes e não para de escrever nem canção e nem poesia - e que se morria de medo de avião.

Agora imagina ele sessentão Todo de jeans e bata? cantando em universidades e lendo um poema seu pros operários paulistas em pleno Primeiro de Maio? 

Imagina um cara que não esquece sua veia católica e subverte A Arca de Noé pros pequenos, entre versos e canções?

Pensa num cara que tinha a casa aberta? Um brother mesmo... que viva cheio de amigos e sempre sentindo saudade deles... morrendo junto a cada vez que um morria.

Imagina um cara que morreu num dos seus lugares preferidos: a banheira -  lugar em que gostava de escrever...

pensa só.

Agora pensa que tem músicas suas sendo cantadas num monte de lugar do mundo: por todos os continentes. Pensa que ele, que tinha um apreço formal  a ponto de subverter as formas mais clássicas da poesia, é muito mal quisto nas universidades do seu país. "Poeta menor. Pequeno". 
Poetinha. - camarada - que foi homenageado ainda em vida pelos seus. 
De que vale seus sonetos serem recitados a torto e a direito e suas canções? Pensa numa dificuldade tremenda de achar bons textos por aí que falem dele? Pensa que no ano de seu centenário há vários programas de rádio contando sua história... 

penso que no ano em que ele faz cem anos, se pá faz tanto frio em São Paulo quanto fazia na fria madrugada em que ele nasceu. 

domingo, 6 de outubro de 2013

foto-grafar.

aumenta o brilho
mexe no contraste
se mira no espelho.
edita, repara.
(atrás de uma tela tem público)

o branco fica mais branco.
bota um vermelho nos lábios
e daí se parece zumbi?

o mesmo riso.
a cabeça meio torta
os cabelos propositalmente
em desalinho perfeito.

pasta de gente
dente reluzente
no metrô é só
mais uma cara emburrada.

colunas tortas
vozes bravas
alteradas
ouvido na câmera
registro da rispidez.

e daí a feiura
da face contorcida?
não tinha flash.

as fotografias da máquina da memória
em cliques de cérebros de estranhos
já não fazem assim
tanta diferença mais...




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

it's her fault

acordou fedida. há duas madrugadas ela ronda pela cidade entre bares, sambas, cartas, amigos, meia-luz-inteira. fede gato. bafo. descabelos. babas. acordou com o peso das fumaças. olhava pra dentro e via o caos. do lado de fora o devir. andar.
a roupa apertada de quem precisava de agilidade nos movimentos. suja de molho. embassssssssssar.
pé-ante-pé ela deixa mais um quartinho provisório, um dos tantos da vida de andarilha.
se olha no espelho. água na cara. caça a chave. anda.
anda.
anda.
anda.
à espera do farol abrir ouve o caminhão ao lado
"noooossaaa" e depois de captar o tom de cantada barata mal consegue distinguir os fonemas-sílabas-desaforos.

o sinal não abre. o caminhão passa a seu lado. o infeliz completa o ato: bota a cabeça pra fora e vai contorcendo o pescoço. vê então uma cara amarrada. emburrada.

anda.
anda.
anda.

sobe escada.
desce escada.
passa.
para. compra.

"hmmm. nossa que gostosa!"
ele diz depois de cruzar com ela
que dessa vez grita:

"que merda, hein?!!!"


salta. escada. anda.
respira.
calcula.
reza. medita.
esquece.
assombra.
enraivece.
bafo. cecê.
suvaco cabeludo.

"hmmmm que delícia hein?"

"PUTA QUE PARIU!!!!!!!!"

anda. espuma. raiveja.
fiu fiu. - CHEGA de fiu fiu
merda.
existir.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

sobre gatos (e uma declaração de amor)

Hoje conheci Haku. Minto. Eu já vira antes. É branco como Gandalf ao fim. Sensível como aquela elfa branca... hm... que fez o Bob Dylan no filme do Scorsese. O Nego é canceriano. tá junto.



 

"Pronto nega. Era o que faltava pra você virar bruxa."

Um gato.






Leon mija nas minhas coisas. Todas. E eu viajo. Muito. E ele não gosta disso.
Entre amanhecer rumo a Marília terça-feira e chegar em SP no fim de tarde da quarta e encontrar - mesmo tendo se certificado de fechar a porta - a cama toda mijada pelo Leon é qualquer coisa de muito amor. Uma das coisas que vim buscar em SP foi a escaleta. Ao colocá-la na na mochila, sinto o rastro de Leon. - mijara nela também.

(preciso castrá-lo e ele me ama: combinação fatal.)

Há pouco disse que "minha primeira gata foi à distância", mas menti. É que na bem da verdade, foi bem de perto. Afinal de contas a Passarinho pariu nas minhas roupas, ora. Eu não estava em Araraquara quando aconteceu. Eu e ela não tínhamos lá a melhor relação do mundo, mas uma fêmea parir nas roupas de outra fêmea deve dizer qualquer coisa sobre a afinidade entre elas...
Passarinho enlouqueceu sozinha e muitos filhos na Moradia.

O Patas... uma de suas crias... sempre me lembro dele bebendo água do filtro da Dona Adriana - gato sortudo! (Aliás, bons felinos reunidos naquele belo lar)

Mas é uma menina de olhos azuis. arregalados. A primeira me escolheu antes.
Quando comecei a falar bastante com o Beto ao telefone, a Lara ia pra perto dele. Era ouvir minha voz que ela se aproximava, mais e mais. Vez ou outra bastava uma mera conversa comigo via computador que ela já se aninhava nele.


Quando (finalmente) eu estive em Londrina, a afinidade se confirmou. A registrei numa das poucas fotografias que fiz daquele fim de semana. Segunda-feira, antes de pegar o ônibus que - como hoje, fora prorrogado da noite pra manhã - estava eu ajeitando a mala, quando peguei a máquina fotográfica. Olhei da porta do quarto de hóspedes (onde ele tivera a audácia de deixar as minhas coisas quando cheguei) e via os dois me vendo partir: Beto e Lara.

Beto não sabia que eu fotografava. Me olhava como quem vê alguém que não se sabe sendo observado e, por isso, mirar os olhos dele através do visor da máquina era olhá-lo, fundo, entregue, como a quem não se sabe sendo visto.
Lara ao contrário encarava a máquina. Observava e se sabia observada pela coisa.

Eis a foto: os dois me vendo partir. Cúmplices. Londrina é o nosso lugar. Totem E Tabu. - tenho vontade de voltar pra lá para vê-la.

Mas antes do Leon ainda houvera outro. Gato que nem existia(?). - Le chat du Rabbin - lêcháderubã. [Filme que nos apareceu quase que como acidente, numa das nossas tarde mais belas. Um gato apaixonado por sua dona, que aprende a falar e trilha com seu dono caminhos de diversão, riso, numa atmosfera ecumênica. Diferentes que sabem coexistir e os que não sabem. O quadrinho virou filme. e eu indico para quem gosta de gatos, pra quem gosta de religião, pra quem gosta de amor, pra quem gosta de animação.]

(Ah! Se a sala 3 falasse... - contaria nossos segredos e juras de amor trocadas enquanto subia o letreiro - futuros amantes. futuro cineasta. sonhos)

Eu e Beto fomos gostando dessa coisa de ir se descobrindo e descobrir o outro, descobrindo o mundo.
Por exemplo, esse filho de São Francisco de Assis veio - também - foi pra me ajudar a amar os bicho.

Quem me viu com a Passarinho desacreditar ao me ver gamada no Leon, de dar banho e tudo mais.
Beto é meu Chico de Pé Grande.
Imenso.
E sim. Gatos.
Um acaba de se aninhar no edredon que me cobre...

( - meu amor dorme longe...)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

queridodiário

tenho um gato que se lambe todo no cobertor que meu amor me trouxe
pra me aquecer enquanto ele fica lá. longe.
tenho amigos doidos. que gostam de cartas. de saraus. de prosa longa. 
dão prosa pras minhas brisas e a gente fica delirando.
tenho uma pilha de livros de um só autor. um morto que me acompanha há anos.
tenho um brother com quem conversar sobre a pilha. e a gente gosta tanto da prosa que falaremos com mais dezenas sobre.
tenho vontade de poesia, embora fique em prosa
tenho um quase na bagagem. uma colocação boa
e hoje quase tive vintemil.
não tenho sono, mas me vou dormir
que tenho sobretudo, vontade de mundo
de estradar
e amanhã, 
tenho pé na estrada outra vez.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

música serve pra isso.

"sua vida É um espetáculo, Isabela." - ou era algo como "em constante performance?" - algo assim eu ouvi de um grande amigo meu. grande amigo. e não é lá algo muito fora da realidade. Desde que o Salsicha tinha espalhado pras duas turmas que eu cantava vira mexe eu ouvia "canta no fim da aula", "hoje você vai cantar né?". e eu sempre dava um jeito de simplesmente não tocar no assunto pós-roda de avaliação. eu então pensei em fazer uma surpresa no dia da formatura: levar um violão e cantar direito. mas eis que no meio do caminho tinha a rede globo. resolveram filmar o trampo da ong em que eu trampo praquele programa sobre ações sociais que ninguém vê mas que passa sábado de manhã. -  e a gente sabe que existe.
o pedido foi: por conta das gravações, adianta a atividade com violão pros meninos. well. não o fiz. pensando agora, uma idiotice imensa não ter feito - teriamos atrasado a colagem dos cartazes e não precisaríamos tê-los destruído para remontá-los. quem disse que adiantou. Kelvin veio já enfático e no começo da aula: você vai cantar né? - canta "Pais e Filhos" do Legião Urbana.
***
Essa foi uma das músicas que eu cantei quando levei o violão e não fui tonta. encerramento da oficina de literatura com o grupo de dança. cantamos em coro. eu engasgava. sempre engasgo. quando tô tocando violão é mais fácil. o coro embala e eu me concentro nas cordas. quando é a capella o choro parece que me vence.
com os meninos do núcleo-luz houve toda uma história recheada pelas aparições do Legião Urbana durante as aulas. A relação canção e roteiro de cinema; o (excesso?) de citações de canção em 'Somos tão jovens'; o lançamento dos filmes; o episódio quase vivido por mim e testemunhado por dois aprendizes sobre o dia que a livraria cultura faria uma exibição gratuita de "Faroeste Caboclo" com direito a debate com os protagonistas no fim.  - a fila era quilomêtrica e isso não é um exagero. muita gente. da sala se encher e ultrapassar o limite do suportável e globais saindo pelas portas do fundo em plena paulista pra se proteger da multidão. - cinema, de graça. na rua. well.
***
por outro lado, na emef cidade de osaka, em são mateus,  'pais e filho'  liderava uma lista de músicas, o "top 10" das canções preferidas da turma da tarde. eleição feita pro fanzine que contava com whitney houston, los hermanos, beirut, pitty dentre outros. e kelvim queria era aquela.
- aquele era o dia sugerido pra levar o violão. naquele dia contei pra eles da ida da globo.
e se de manhã eu estava dando conta do fogo da contradição queimando por dentro, a turma estava radiante por estar na tevê exceto pela exigência da diretoria de que todos usassem uniformes. - comoção geral. mas por fim eles se convenceram.
à tarde foi mais difícil. ao ouvir "globo" a gente ouvia repulsa feroz e apaixonada. - o uniforme quase que conseguia ser de menos. eu disse "quase". - "eu sou contra a uniformização. eu não uso uniforme. isso é o que eu acredito." - "você pode não vir".
o que eu ia fazer? eu, na condição deles, faria a mesma coisa - não tô dizendo lá atrás, há 12 anos atrás. digo hoje. nos dias em que eu brigo com as pessoas que passam no sinal vermelho.
como pedir pra eles gostarem daquilo? - eu não gosto! foi difícil.
princípio de contradição da existência.
a aula foi uma bosta. eu mal conseguia interagir com os meninos. ao fim, eu puxei a roda de avaliação e conversei com eles. pedi desculpas pela bédivaibi, que tava difícil, eu não gostava de ficar daquele jeito com eles, principalmente no nosso último dia e que eu tinha que cumprir com um  pedido que haviam me feito "mas vocês precisam cantar junto, viu?"

estátuas e cofres e paredes-pintadas (ninguém sabe o que aconteceu. - ela se jogou da janela do quinto andar, nada é fácil de entender)

(não consegui disfarçar dos meninos a carência e a saudade do meu lamento "eu moro com meus pais... não mais)

 -e sim, eu choro. porque viajo anos com essa música sempre.
eu lembro cristalinamente, há muitos anos atrás, dentro do carro - quando o Bruno nem dirigia ainda - eu perguntando pro meu irmão: "como assim? ele cada hora mora num lugar? com a mãe, na rua...?"
"é liberdade poética, gorda. poeta pode tudo".

anos mais tarde, era ele com o violão à colo, eu, minha mãe e meu pai cantando com ele e a turma dele de terceiro ano lá no centro cultural "é preciso amaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAAAAAAAAaaaarrr".

 - antes de cantar eu contei pra eles que eu tinha planejado cantar pra eles na formatura, mas que não ia rolar, porque a globo ia, etcetcetcetc. que ia ficar mais careta a coisa.
***
eu e o salsicha temos uma capacidade incrível de cantar pérolas do cancioneiro. despreocupadamente. infinitamente. here there and everywhere. enquanto a gente pregava os cartazes foi de tudo "lá vem o negão, cheio de paixão" - a gente veio com "maracangalha". eu infectei o resto do pessoal e, de repente, a gente tava discutindo porque manonas era um clássico e porque eu aquela outra banda, que eu nem sei o nome, não. "é porque eles morreram." - e eu me contendo pra não discorrer sobre toda a minha teoria do riso nos mamonas!rs
infectados por música. assim a gente se comunicava. descontraía. tava absurdizada com o cara que botou um senhor rockpesado em pleno almoço da criançada. eu pirei. os meninos já são agitados...rsrs toda tia. rs .entre a chegada dos meninos no refeitório-salão-de-formatura passou gilberto-gil via paralamas do sucesso numa versão mais rappeada que nunca, com violão-de-acústico-mtv ao fundo, o rappa evocando jorge ben: "temo cabelo duro somo black pau".
***
e começa a coisa toda. os meninos fizeram discurso né?o da manhã já me arrancou lágrimadozói. o discurso da tarde era uma verdadeira surpresa. o jogral das isabelles com andrew culminava em nada mais nada menos do que um fim assim, ensaiado: mas peraê? acabou?"

 - é preciso amar
as pessoas como se não houvesse
amanhã.
porque  - 
se você parar
pra pensar - ... na verdade
não há.
Registro do discurso de Izzy, Bug e Andrew. "não está faltando alguma coisa?"
~ MÚSICA ~

(serve pra isso, porra.)

na volta da formatura, sem carona, encarando mais uma vez a odisseia da volta no transporte público de são mateus pra cá, a alegria-leveza era tanta que eu e o André cantávamos leves, alto e com direito a coreografia na perua lotada: "sabe, tchurururu que tô louco pra te ver... oh yeah".