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sábado, 22 de junho de 2013

eles-eu.

aquele que me libertou
fora o doce vampiro
que sujou a casa sagrada
do primeiro estouro de amor.

infame sa(n)grar.


quem é ela?
amá-la os lábios vermelhos? ou as lentes longas?

eles são pais e ressonâncias de orgias com mortos genais
de sopro, de vida
de-o-turno
l  
           a            
                       r                                                                                        .
                                    .                                                          .
                                              .                          .
                                                         .  

amá-la no beijo da parede. (único)
no céu laranja. rabisco. impressão

amo-a no abraço de Ella em Jobim,
da Rosa entre os rapazes do números.
nas pelúcias.
na sua cavidade que não vejo,
mas sinto se expandir
em gesto belo
de quem sabe que existe.

meu coração

cresce



10 metros

                                                                   o    d
                                                                  t        e
                                                                n             mim. jogo da amarelinha. ou
                                                              i                          
                                                            r
                                                           i
                                                         b                                tudo que você
e explode.                                         a
selva. ma(r)[to]                               l                                         podia ser.


                                                                     

hasteia o riso

Quinta feira, 20 de junho, foi um dia imenso. 
No caminho do lar para a rodoviária de Marília, o taxista falava muito sério sobre a necessidade da permanência das manifestações diante da redução da tarifa. E não falava em coisas abstratas como "contra a corrupção", mas falava sobre sobre números, cifras, coisas que poderiam ter sido feitas com o dinheiro investido na Copa. No dia anterior, no guichê rodoviário em Assis, após uma piadinha minha sobre o Brasil ser a própria fogueira das festas juninas, o funcionário vestido a caráter falava "você é de Assis? Ah! Então não deve gostar da cidade. Mas o povo é muito bom. Devia escrever nos cartazes dos protestos que o problema são esses empresários que exploram a cidade..."
Voltando à quinta, depois de descer do táxi, esperando o busão que se atrasava mais uma vez rumo a São Paulo, eu vi o jornal que um senhor levava e pedia para ver: a vitória do MPL estampada na primeira página. Eu, com essa Lua em Câncer, enchi os olhos lágrimas e fui lá comprar um exemplar pra mim. "Esse tem que guardar pra mostrar pros filhos", eu dizia sorrindo pros vendedores. 
Sentei novamente do lado do senhor e conversamos tanto e tanto sobre as manifestações. Ele animado, dizendo que é isso mesmo! Que o povo tem mais é que ir pras ruas. E eu falando sobre a violência policial aos jornalistas das grandes mídias como fator que impulsionou as manifestações no país todo. 
No caminho vindo lendo a Folha e o Estadão e rindo sozinha dos comentários e notícias. Evidentemente, não precisa ser um grande expert em análise do discurso para ver a maneira pela qual os jornais direcionavam a análise, ainda que, na Folha, algumas análises tenham sido minimamente louváveis. Ri alto e feliz de ver que o MPL tinha cantado a Internacional para comemorar o recebimento da notícia. E a cada riso meu eu imagina o que se passava na cabeça dos policiais militares que viajavam na poltrona perto de mim.
Cheguei em São Paulo disposta a ir pras ruas que a musica que eu deveria cantar era da alegria de estar nas ruas pós vitória do movimento. Até então, eu andara apenas na marcha do dia 11 de junho, sabe? Aquela terça-feira pré quinta-truculenta-da-pm-dia-que-o-Datena-mudou-de-ideia. Pois bem. Terça-feira na qual eu andei por 5 horas gritando única e exclusivamente palavras de ordem contra o aumento da tarifa. O movimento organizado em torno de uma pauta e com um objetivo claro. Terça-feira de 15mil pessoas que sabiam exatamente o que queriam, ainda que estivessem perdidas sobre essa coisa extasiante que é estar nas ruas. Eu por exemplo. Tudo novo. Pra mim e pra muitos e muitos jovens. 
Pois bem. A quinta-feira da vitória, pós quinta-feira da repressão.
Cheguei em casa, preparei o figurino: minha camiseta vermelha com os dizeres vinicianos: "é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe. é assim como a luz do coração".
Mas eu e essa coisa de ficar sempre na internet... abri um link que exibia a manifestação na Paulista ao vivo e vi a chegada das bandeiras vermelhas por lá e o início de sua hostilização. Pouco antes eu havia compartilhado feliz e contente a notícia de que o MPL não se incomodava com a presença dos partidos. (bandeiras vermelhas presentes desde o início das movimentações - e hostilizadas ainda que de forma pontual desde o início também. Eu mesma, que não sou filiada a nenhum partido, embora conheça alguns de mais de perto, como é o caso do PST-U, eu mesma defendi um militante e disse "não. a gente não vai baixar as bandeiras!").
Eu já sabia que os movimentos sociais e partidos de bandeiras vermelhas estaria presente. Imaginava um confronto, mas não o caos. Aos poucos fui ficando acoada por estar vestindo vermelho. Tive medo de sair de casa. Meio atordoada, não sabia o que fazer. Fui pra rua. 
No ônibus a alegria novamente me contagiava: fiz a coisa certa. O motorista e o cobrador (aqueles pra quem eu perguntava em coro forte na terça "me diz aí se seu salário aumentou??") eles falavam com orgulho das manifestações, apoiavam a causa e estavam felizes de me dizer que o ônibus não faria todo o trajeto da linha. Durante todo o caminho, um enfermeiro dizendo sem rancor que estava saindo pro trabalho quase 4 horas antes, por conta do trânsito devido as manifestações. E falava pra mim em detalhes o preço dos estádios, sobre os estados que tem poucos times de futebol e agora ganharam verdadeiros palácios da bola. Falando, argumentando, debatendo, construindo, apontado direções. Ali. No banco do busão.
Na saída do metrô da Consolação, muita gente, MUITA GENTE, de verde amarelo, se pintando. Na rua, um carnaval fora de época. Flanemos! Grupos esparsos, vários cartazes. Verde e amarelo. Vermelho, só nas camisetas da Ferrari. Cheguei tarde demais(?) Não consegui perguntar praquela onda verde e amarelo onde estavam as bandeiras vermelhas: seria o mesmo que pedir pra discutir e tretar. Eu tava sozinha e sozinha nessa. Passou uma conhecida dos tempos de Araraquara e parei ela e perguntei. Não sabia direito, mas havia muito tempo que não os via. Deviam ter ido embora. 
De repente eu estava andando no sentido contrário da multidão. Caçava algum vestígio vermelho. Achei depois de muito caminhar. Uma camiseta da CUT: "oi moça!" Era uma colombiana e sua amiga peruana. Moravam numa ocupação e tinham sido convidadas a estar ali. Andamos as três em busca de mais vermelho. Achamos então um grupo anarquista gritando "Sem alegria: a PM mata pobre todo dia". Eu provavelmente estou em algumas fotos bem a caráter com meu vermelho e preto, gritando que a luta é internacional... Por fim um professor "nem sou do MST mas vim com a camiseta: onde estão os movimentos sociais? A classe trabalhadora precisa vir pras ruas"  - "eles tentaram, moço, mas foram duramente hostilizados."
Depois de andar com elas um pouco mais, tomei o rumo de casa atônita: como assim toda essa repressão? Como ficar alegre com a violência que as bandeiras sofreram? Como achar normal que pudessem atacar diretamente a Dilma salientando o P e o T de sua incomPeTência e privar aos militantes o direito de estarem nas ruas? Como? Minha cabeça trovoava e a sensação de estar bem próxima de uma conjuntura próxima a dos anos 1960, que vinha de há muito mais tempo que essas duas semanas de hostilidade e esse boom facebookiano, só crescia.
Em casa, eu estava triste. Desanimada. Consumida pelos comentários todos. O relato do meu camarada que estava junto às bandeiras fazendo a segurança aumentava minha agonia. Meu companheiro, partidário e militante, tentava me acalmar - por mais incrível que isso possa parecer.
Na sexta-feira da ressaca foi novamente a rua que me arrancou sorrisos e lágrimas: a festa junina dos meus queridos aprendizes. Eles dançavam. Dançavam. Giravam. Sorriam. Sentiam prazer em viver.
Lembrei então daquilo que tanto estudo e leio com um dos meus russos preferidos: o RISO. Seu poder ambivalente: rebaixa e regenera. Tomei como meta interna voltar a sorrir. Não. Não podem me levar o sopro de vida. A alegria de viver. Não. Isso é a minha maior derrota.
Todos estes posts sobre facismo, essa ignorância das lições da história... dizer, responder, falar, gritar. bizarrices por todos os lados. a direita. os videos. a copa. a fifa. o foda-se. o FALA. "Se você disser tudo que quiser, então eu escuto."
Hoje canto do lado dos amigos. A arte antecipa. No repertório autoral, os versos do poeta já profetizavam "Hasteia toda a dor, hasteia! Hasteia toda a cor vermelha!" Hoje canto a hipocrisia daqueles que se parecem com machados, que ferem sândalos e ainda querem sair perfumados.
No difícil equilíbrio entre a indignação e a alegria de ver as pessoas trazendo pra ágora, pro centro da conversa, os problemas da política, da vida pública, para além das suas querelas particulares... nessa balança, nessa gangorra, eu quero é força pra continuar lutando.
quero sobretudo, paz interna para não perder o fôlego de travar uma boa conversa no ponto de ônibus, na loja, na esquina, na RUA.
Hoje.
Meus amigos de luta: nos organizemos. Mas que a raiva, o medo, o ódio, não matem nossos corações. Lutemos alegres. As ruas estão aí não é de hoje. Caminhemos. Perplexos. 
Deixemos espaços para o vento passar.
e sobretudo, voltemos a sorrir. grande. alto. imensamente.

terça-feira, 18 de junho de 2013

e que não se pare de fazer perguntas...


esse post foi escrito no calor da emoção ao saber da agressão sofrida por minhas amigas militantes do PSTU durante a marcha em Londrina. 

Dedico a minha amiga de sorriso imenso e lindo, guerreira mulher:Ana Soranso
Para saber mais sobre o episódio, sugiro esse relato: Duas marchas em uma. de  Murilo Pajolla



não. continuo não me orgulhando de morar num país que explora os seus vizinhos mais pobres. que explora a classe trabalhadora. que mata seus índios. que tratou a mobilização dos universitários nos últimos dez anos e até semana passada (pq as UNESP estão praticamente todas mobilizadas e disse ninguém quer falar) como bando de baderneiro!!

sem essa de pátria amada. sim. acredito que o Brasil tenha vozes internas que precisam ser ouvidas muitos mais do que muito enlatado norte-americano e por aí vai que a gente engole cotidianamente. mas não pessoal. não me venham com churumelas. não  se trata de um "patria amada Brasil".

isso aqui se tornou nação às custas de 3 séculos de escravidão. Nossa República foi um golpe militar, uma passeata de milico na rua - ok! contra a monarquia - mas que (também) matou e calou muitas manifestações populares.

não. não me venham com essa.

acorda sim povo brasileiro. mas saiba pra onde tá andando. caminho se conhece andando então vez em quando é bom se perder. ok.

mas não. não me peçam pra abaixar bandeiras de quem toma partido EM MUITAS LUTAS HÁ MUITO TEMPO por conta de um nacionalismo abstrato e perigoso.

entendo a paixão. mas não desejaria ver essa massa de gente nas ruas reproduzindo repressão, sectarismo e preconceito.

não quero que a esquerda se sinta obrigada a se esconder.
ao contrário.

já pararam pra pensar por que o PSC, PMN, PR, PV, esses outros "p"s menores, que estão periodicamente nas nossas tvs, na hora da novela, apoiando um governo de lá, dizendo q fez dali... por que que eles não levantaram suas bandeiras nas primeiras manifestações do Passe Livre??? Por que???? E por que ali tinhamos a bandeira do PCO? PCR? PST-U? PSOL? ANEL? UNE? e por aí vai????

Ano que vem tem eleição, queridagens.
e será através da mediação partido (a não ser que a gente REALMENTE mude TUDO até lá...). os que tem grana levantam a bandeira todos os dias na sua TV na hora da novela pra dizer o quanto eles são legais, ou o quanto o governo é malvado, e como eles vão tirar a gente da merda... é sempre tão bonito ne?

o Aecio andou aparecendo a torto e a direto nos intervalos dos ultimos capitulos de novela. e dizia "quero conversar com você"... quer mesmo??????

Não.
pessoal! A gente tem feito petição online há muitos meses. Foram quantas contra o Feliciano???????? Quantos atos nas ruas contra ele??? quantos artistas se manifestaram? se beijaram??? a daniela mercuri até voltou a fazer show a torto e a direito!!!
O máximo que podíamos dentro da sociedade do espetáculo já foi feito. Quebrar coisa é muito ruim, invadir é violento, mas já pararam pra pensar há quantos anos as pessoas entram nas casa legislativas e falam com a policia???
quantas vezes elas até falam, mas não são ouvidas????
 - não digo aqui que devemos ou não ser violentos nas manifestações. mas é compreensível sim, pensando sociologicamente, historicamente, que dá pra entender porque da invasão: a gente pede pra entrar e não deixam! a gente fica então se divertindo, rindo da nossa própria mediocridade nos CQCs da vida porque eles estão la de terno e gravata aloprando político?



não pessoal. não sei pra onde estamos indo.
mas muito cuidado no trajeto.

já que a treta é com partido, pensem muito bem nas propagandas e oportunismos partidários que engolimos todos os dias.

já que a treta é partido, se perguntem ondem esses partidos que estão sendo agredidos (inclusive fisicamente) nas passeatas andaram indo, o que eles querem e o que falam. - eles não são detentores da verdade, mas será mesmo que encarnam em si todo o mal existente?

ano que vem tem eleição. não deixem isso aqui virar um flaXflu.

que nos seja dado discernimento para caminhar. e não se pare de fazer perguntas.



Em tempo:
às vesperas da ditadura militar tanto a direita quanto parcela da esquerda louvavam a pátria, a nação. a revolução por etapas "fortalecer nosso capitalismo brazuca" - blabla. e a galera que "fez o bolo crescer" e deixou as migalhas, e abriu devagarinho as pernas pra nossa democracia.

sábado, 8 de junho de 2013

a canção de "O Abismo Prateado"

      Quando soube do lançamento do filme-documentário "Vou Rifar Meu Coração" (2011, dir. Ana Rieper) que "trata do imaginário romântico, erótico e afetivo brasileiro a partir da obra dos principais nomes da música popular romântica, também conhecida como brega". Fiquei bastante curiosa (eu e meus queridos colegas do Grupo de Estudos CATAVENTO com essa mania de querer entender - questionar, perguntar, cutucar - esses fenômenos da(s) cultura(s) e seus trânsitos entre essas classificações e denominações, segregações, delimitações de classe, gênero, etnia).



     Levei muito tempo pra assistir mas o fiz instigada pela leitura do livro História Sexual da MPB de Rodrigo Faour, cujos capítulos "passeiam pela vocação de boa parte de nossa música do passado para a tristeza amorosa e a dor-de-cotovelo; pela evolução da mulher, da sensualidade e da homossexualidade em nossa sociedade refletida em canções; duplo sentido e transgressões em geral nestes temas, e uma análise do impacto causado na elite bem pensante do país pela dança do maxixe na virada para o XX e do funk carioca no início do século XXI."



   Como interpretar esse fenômeno chamado música brega? Essa, como diria Faour, "vocação" para a dor de cotovelo? "Vou rifar meu coração" é um documentário incrível. Transitando pelo universo da música brega, guiado pelas canções e suas histórias, o cantores, compositores e intérpretes de verdadeiras crônicas amorosas o filme assume (e dá conta do recado) "o desafio de falar sobre a intimidade de pessoas reais, em situações reais."  Essas pessoas estão no interior do país. Num Brasil que pouco passa na TV, histórias que não são contadas nas novelas, cenários bem distintos das paisagens urbanas que fazem fundo para os dramalhões burgueses das nossas novelas (nem mesmo quando elas se querem "menos" burguesas e/ou "menos" metropolitanas). Não são mulheres com padrão de beleza de capa de revista "feminina", nem galãs de propaganda de creme de barbear. Gente mesmo, sabe? São butecos, inferninhos, paradas... casas simples. 



    [Poderia, mas não vou me alongar muito sobre o documentário. O link pra assiti-lo completo tá logo ali em cima taggeado, confiram. Já aviso que é muito da hora, por exemplo, ver o testemunho de uma história de verdade cantada por Odair José em "Eu vou tirar você desse lugar" (canção que eu confesso que conheci recentemente na versão que a finda Los Hermanos fez)]



E versão é o centro dessa brisa e não posso deixar de reproduzir aqui uma fala de Agnaldo Timóteo durante o doc:



 "A mim não chamam de brega. A mim não chamam nunca de brega porque quando eu pego o microfone eu sou um monstro. Você não tem ideia, não tem ideia... você nunca foi a um show meu, nunca foi a uma apresentação minha. Você não tem ideia do que é este "crô" no palco. Eu sou de fácil interação. Eu sou de fácil comunicação. Eu sou alegre no palco. Descontraído. E canto muito. Ninguém percebe que eu sou preto-feio-do cabelo duro porque eu canto muito! Mas canto muito! Muito mais do que Roberto... muito mais! Canto muito!! Por isso eu tô aí até hoje entra meu amor, fique a vontade e diz com sinceridade o que desejas de mim.... [cantarola o clássico de Lupcínio Rodrigues] Mas por que que essa música pode ser brega? Por que não foi feita pelo Chico Buarque? Porque quando o Nelson Gonçalves gravou "Negue" era cafona. A Maria Bethânia gravou virou luxo. É o preconceito que é seguido, que é divulgado, que é programado, e multiplicado contra nós cantores românticos de origem modesta. Nós não somos de uma elite política, elite de sobrenome, nós não somos Buarque de Hollanda, nem Vinicius de Moraes... Nós somos... pessoas do interior!"



Instigante a fala de Agnaldo, mas vamos devagar no andor. Concordo com ele plenamente de que HÁ SIM um preconceito grande (aliado a uma baita hipocrisia) em relação a música brega no Brasil. E sim, há uma questão de classe envolvida. 


 - O movimento político sócio-cultural que fermenta e gera a sigla MPB tem sim um corte de classe e isso tem sim as suas consequências. A aura de música "indiscutivelmente boa" que há em volta dos nomes que ali estiveram envolvidos, direta e indiretamente... (Basta lembrar [e problematizar um pouco a noção de "Eu sou FODA" que Caetano andou berrando por aí  - noutro contexto é claro, mas como toda uma aura de "geração de gênios", como se SER FODA fosse privilégio de poucos ou um dom divino - divergindo absolutamente com a noção de cultura que eu (e meus amigos do Catavento) comungo de que todos são foda, aptos para sê-lo e produzir e etc, etc, etc e etc)




Mas voltando a Agnaldo...

quando ele compara as versões de Nelson e Bethânia, não podemos ficar simplesmente nessa distinção de elementos externos à música. Porque, por mais que o "social", aquilo que (em tese) está de fora da música a influencie, não podemos deixar de ouvir a própria canção! Nesse ponto recorro tanto a Bakhtin quanto a Luiz Tatit. O primeiro que afirma categoricamente que um mesmo enunciado dito em diferentes contextos suscita sentidos diferentes e nos lembra como o tom volitivo-emocional expresso no momento do ato enunciativo altera os sentidos ali expressos. O segundo, o idealizador da "semiótica da canção" , por também nos lembrar que diferentes interpretações da mesma música acaba por revelar novos sentidos, leituras, possibilidades que estavam ali em potência no momento de sua composição e que nem sempre são revelados nas suas versões originais. 



Pode parecer um detalhe besta, mas não é. Esse detalhe besta me faz pensar em como foi possível que a canção do "foda", do "cara-do-sobrenome", ganhasse uma história nos contornos que Karim Aïnouz retratou em Abismo Prateado (2011).










Chegou há pouco nos cinemas o longa-metragem do diretor Karim Aïnouz que levou às telas uma história livremente inspirada na canção  "Olhos nos Olhos" de Chico Buarque, lançada em 1976, no álbum "Meus Caros Amigos" e que ficou muito conhecida na interpretação de Maria Bethânia. 
Não sei como foi para o público em geral, mas eu fiquei com um pé atrás com essa história de filmar os versos 


Olhos nos olhos,

Quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando,

Me pego cantando, sem mais, nem por quê.

Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

     Ainda que escritos por um homem, esses versos são uma delícia de se cantar, ao se sentir mulher nesse mundo machista em que (ainda!!) é feio ser dona de si e do seu corpo pra poder dizer (e cantar) que tantos homens a amaram... e bem mais e melhor que o fdp que foi embora dizendo "pra ser feliz e passar bem" (que aí vem a coisa do homem escrevendo ne? essa "coisa de homem" (machista!) se importar com a "qualidade" do "seu" sexo).
    Confesso que me surpreendi com o que vi. Houve sim um estranhamento, mas nada que faça eco com essa onda de críticas negativas ao filme. Discordo de que o filme de Karim não tenha conseguido transitar e passar a emoção da canção. Acho que é preciso pensar não apenas a letra da canção, mas a sua interpretação, as cores e seus sentidos... quais deles foram pra tela...

    A canção "Olhos nos Olhos" aparece transfigurada cantada à capella por dois personagens que cruzam a madrugada de fênix da protagonista Violeta. Ali a música está longe de ser algo de "luxo" como diria Agnaldo Timóteo e bem mais próximo do universo brega. Uma música popular no sentido de popularizada, de estar na boca do povo... 
    Para completar essa leitura, a música é tocada na cena final no rádio de caminhoneiro e não nas versões mais conhecidas de Chico ou Bethânia (ou de qualquer um dos nomes FODA que Caetano possa vir a citar), mas na versão de Bárbara Eugênia feita especialmente para o filme:

     Concordo plenamente com o Blog UM LUGAR no post de Oswaldo Alves  de que no filme a voz de Bárbara consegue um feito: causar uma certa surpresa mesmo sendo uma das canções mais conhecidas de Chico Buarque e mesmo que já saibamos, de partida, que se trata de uma obra inspirada na canção.

Sim. E se é pra analisar a película como uma canção filmada que se leve em conta a versão de Bárbara e não a de Chico Buarque ou de Bethânia ou qualquer outra...

E isso não é mero detalhe. 
Esse estranhamento da versão de Bárbara é o mesmo estranhamento que temos ao perceber a leitura desses versos tantas vezes cantados passionalmente na madrugada de redenção de Violeta pelas ruas de um Rio de Janeiro que não é de cartão postal, o Leblon da novela do Manoel Carlos.

E era aí que eu queria chegar. Não faço ideia se Karim assistiu ao documentário de Ana Rieper, mas saí do cinema com a sensação de ele havia transformado "Olhos nos Olhos" numa música "brega", numa música de povão. (ele leia-se, por favor, o projeto do filme, o roteiro e, é claro, a versão de Bárbara Eugênia). A história de Violeta poderia ter sido narrada no documentário de Ana Riper e a trilha sonora teria o sintetizador e o canto da versão de Bárbara Eugênia.

Mas aí vocês dirão... "mas você não disse que as cenas do documentário eram de um outro Brasil que não o  das metrópoles e cartões postais?" 

     Sim. Eu disse. E uma das maiores sacadas de "Abismo Prateado" é mostrar um Rio de Janeiro de verdade. Com gente indo pro trabalho, com gente nadando, voltando pra casa semi-nu. Rio de Janeiro com trânsito. Sem Cristo, sem Pão de Açúcar. Rio de Janeiro com barulhos. Muitos. Estridentes. Aquele momento em que a agonia da perda, o desacreditar daquilo que ouvira "adeus!", o tentar entender a falta de mundo debaixo dos pés, se mescla com o som estridente, irritante e ensurdecedor de uma construção civil. 







Para um filme inspirado numa canção, o som ao redor de Violeta não foi pensado em vão. Não foi por acaso que na sua saga madrugadeira em busca de alívio pra dor, Violeta dançou eletricamente o hit de Flashdance.



     Assim como também não ouvimos por acaso tocar na rádio do táxi "You make me feel brand new", ou mesmo as inserções de Claudinho & Buchecha entre os adolescentes da película: sim. Em cada canção havia uma memória afetiva e era a ela que se recorria em cada uma dessas inserções. 

     A citação de "Som ao Redor" de Kleber Mendonça Filho também não foi a toa. Vemos o Rio de Janeiro no Abismo tal como vimos o Recife de Kleber, ainda que em história completamente distintas... Aliás, vale a pena conferir o que Daniel Schenker falou a respeito na crítica "O som ao redor de Negrini".  

     A releitura da canção faz reler a cidade, faz reler a própria figura da atriz consagrada. 
     
     O abismo filmado de Violeta, que é cor de melancolia, de intensidade emocional  e espiritual e que ao mesmo tempo é a cor que proporciona a purificação do corpo e da mente, e a libertação de medos e outras inquietações. É a cor da transformação. O abismo prateado das ondas que não se cansam de quebrar na praia, que testemunha dores, paixões, solidões e encontros. Do vermelho do quartinho de hotel que ela aluga para descansar, dormir, pirar, ouvir novamente as palavras de dor... o mesmo vermelho dos inferninhos filmados por Ana Rieper, em "Vou Rifar meu Coração"...  Os olhos nos olhos com cores dos sons de Bárbara. 

    Pensar no "livremente inspirado na canção de Chico Buarque" é nos fazer pensar no caráter autoral de uma interpretação, de uma apropriação do discurso alheio. Me faz pensar no quanto um intérprete se torna tão autor de uma canção quanto o seu compositor. Que Negue com Maria Bethânia, é Negue DE Maria Bethânia. E que talvez nem mesmo a versão de Nelson Gonçalves para Olhos nos Olhos faria uma boa trilha para as cores da dor e renascimento de Violeta num Rio de Janeiro sem cartão postal.


   Não é pouca coisa filmar uma canção num país como o Brasil, que se sente, se canta, se conta, se sabe através dela. O "Abismo Prateado" é um dos quatro filmes que vi até agora lançados em 2013 inspirados em canções: "Somos tão jovens", cujo título é um trecho de "Tempo perdido" da Legião Urbana; "Faroeste Caboclo", inspirado na canção homônima também da Legião e "E além de tudo me deixou mudo o violão" o telefilme que foi ao ar no CanalBrasil e que é inspirado tanto n' "A Rita" do Chico quanto na "Lovely Rita" dos Beatles (filmes esses que merecerão suas respectivas brisas!)

   Canção nesse país é coisa séria. Filme "de canção", também.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

gracias a la vida

um aquário de madeira
hoje a sala escura
era o próprio mar.
cada um de nós 
se navegava
se descobria 
a sereia que cantava
era um preto
preto de terno, 
preto de dreads
que c@nta
o incontível, 
o indizível 
e o incabível.

anda! navega!
mergulha!
dança, s'embala
não esqueça da música!
se deixe hipnotizar!
não resistam, 
não se protejam!
abram as pálpebras do ouvido:

no fundo do mar
há conchas, há's ostras
as folhas, as letras
(poetas)

em cada canto
ancoram

as brisas vêm.

os navegantes cantam seu (en)canto
se descobrem na gagueira
eles sabem que a onda que move a todos
é impulsionada com o sopro
da coragem de dizer
alto e compassado.

adiamentos
"tenho sono" - muito sono.
cânticos, ventos, 
autopsicografias
poéticas, ritmos.
compositores de silêncios.

o preto então volta a c@ntar
"meta-fora-da-disputa"
eram quase pedras
se equilibrando 
no balanço dasondas
agora 
são o mar.

uma valsa.
e dentro do peito um náufrago
piratas e bailarinas.

outros mares inebriam
O poeta
outras águas 
com outros sotaques.
no espelho refletido da 
tela branca
os navegantes são o próprio carteiro
o carteiro, 
que não gosta do alto mar
nada mais é
que um navegante.

a morte dói.
a exploração dói.
de mãos dadas no final da viagem
confessamos as dificuldade do remar
as alegrias da descoberta 
do mar de si
dos desejos
dos anseios
e de como tudo
é apenas e sempre
só um começo.
afinal
o mundo é metáfora pra qualquer coisa.

sentindo então as últimas ondas
curtas, espumas 
nos pés ansiosos 
da areia quente-fria e seca
ela encontra uma garrafa 
com a mensagem sagrada dos dias:








terça-feira, 28 de maio de 2013

janela em movimento




Vadio e evadido

Vagabundeio só.


Amo a rua torta
E do mar o odor.

Dos muros as mossas,
dos púcaros o frescor
Amo. E as uvas esmagadas.
E do mar o odor.

Vou tangido e raro!
Tangido vou.
Suspenso de ventos
E do mar, pelo odor

Manoel de Barros






O odor do mar invade as narinas.
Os olhos se voltam para a janela em movimento.
Há a neblina
nebulosa cinzenta
paisagem sobre o mar.

Respiro fundo:
como gosto do cheiro salgado do mar!

E respiro mais uma vez, fundo
e mais.
E já não cabe mais tanto oxigênio nos pulmões.
Não cabe mais.

Sorrio.
Afinal é só respirar.
A janela em movimento segue lado a lado
à costa, à areia, ao mar.
Involuntariamente
a maresia vai entrar e me inebriar

Assim será entre nós.

Se minha caminhada beirar teu cais
Naturalmente teu odor
invadirá meu olfato

Mas ao te perceber tão perto
e ao entender que tua maresia me inebria
tanto quanto os mistérios salgados do mar
Eu respiro intensamente, 
de propósito
E puxo o ar com força 
e mais
e mais 
até não caber mais 
E forço 
e quero
até não fazer mais sentido.

É hora de sorrir.
Não há o que temer.
Não há o que apressar.



rio de janeiro, julho de 2011.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

É, não sou: ensaios sobre os afro-sambas no tempo e no espaço.

A gestação durou mais de quatro anos. Fecundado no ventre da mente e do coração da alma que queria tanto as ciências das palavras e observações quanto o sopro de vida, em melodia e harmonia. Cantava no bar pra pagar as contas enquanto lia sobre banquetes na idade média. "Tempo de amor é tempo de dor?" "O tempo de paz não faz nem desfaz?"




Os afro-sambas.

e a partir daí perguntas.
projeto.
sarau.

mestrado.
cantação. contação.
leituras. encontros.
escutas.

O parto doloroso feito em Marília, no nosso lar, construído para outros rebentos.

A defesa do menino que foi entregue para avaliação ainda sujo de sangue.

O canto aos prantos era de gratidão pela gratidão.

Quem quiser conhecer o menino, corrigido mas inacabado, como sempre será é só clicar aqui ó:
<http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/131961/000851571.pdf?sequence=1&isAllowed=y>, que Betto que esteve e está bem de perto na feitura desse menino que quer andar pelo mundo, já o disponibilizou na interneta.
em breve, o link no site oficial da UNESP Araraquara.

É o convite pra uma conversa.
Logo, espero pelas dissonâncias, ressonâncias e reverberações.


 [Samba da] Gratidão

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar.
Consolação (Powell e Moraes)

A bênção, Reny Jorge da Silva e Maria Isabel Silva. Barro(s) que me forjou(aram), carinho que me ninou, amor que me deu coragem, ânima. A bênção, meus pais e, agradecendo a eles (vocês), agradeço a todos os meus ancestrais, meus avós e bisavós, encarnados e desencarnados. Com eles apreendo, através do exemplo, aquilo de mais bonito que as canções de Baden e Vinicius me ensinam: tem que se dar pra poder amar. Vocês, que fazem a vida valer a pena.
A bênção, Bruno Morais. Meu irmão e meu mestre. Ao seu lado, compartilho palco, aprendo a respeitá-lo, a me divertir nele. Do seu lado aprendo sobre o coração imenso, a disposição à ajuda, estar-junto. A bênção Renata, irmã que a vida me deu. Mais que cunhada, amiga. Gratidão por me permitir ser parte do seu mundo, mulher mais adorada e virtuosa. Saravá.
Saudando Bruno e Renata, saúdo todos os músicos trespontanos, em especial Tilê e todos os companheiros do Ummagumma, trupe e berço. Saúdo também Maria Dolores e Felipe Duarte pela coragem de proporcionar um espetáculo à minha querida e amada Três Pontas e me dar a oportunidade de estar no palco, com a poesia, a canção, o violão, e os amigos. O sarau “Para Viver um Grande Amor – Um homenagem a Vinicius de Moraes” foi um momento decisivo do sentir-pensar que levou à essa pequisa. A todos eles minha gratidão, admiração e disposição.
Um salve cheio de gratidão a toda a minha família, em especial Tia Nanaia e Gui que me acolheram na primeira visita ao Rio de Janeiro, quando do início da pesquisa, antes mesmo do ingresso no mestrado acadêmico.
De modo que essa lembrança me remete a carinho, respeito e cuidado com que tanto os funcionários da Fundação Casa de Rui Barbosa quanto da Biblioteca Nacional me trataram, sempre pacientes com a pesquisadora de primeira viagem. Vossa bênção.
A bênção Daniella Suda e seus queridos filhos Ju e Rô, que me fizeram sentir parte da família nas idas ao Rio de Janeiro, no decorrer da pesquisa. Gratidão. Mesmo.
A Bênção Sandro. Você, nego, que foi meu companheiro de estrada, de vida, de música e responsável pelo meu encontro com Bakhtin, e com tantas partes de mim mesma. Gratidão e ternura. Sempre.
Um salve para os “meus” Leandros, amigos e poetas. Durazzo, pela companhia constante, pelas indicações musicais, pelos conselhos, dentre eles o de me divertir sempre. Leandro Oliveira: pela amizade sincera, pelas longas conversas, pelo silêncio cúmplice, pela companhia camarada, pelas viagens, por todas as músicas tocadas e poesias recitadas. Pela arte.
Minhas filhas adotivas, Caroline e Renata, a bênção. Sempre presentes, me motivando e me acompanhando, fosse nas aventuras musicais, fosse nos enlaces e desenlaces desse coração e mente vermelhos que aprenderam a amar e viver com Vinicius.
Aliás, a poética de Vinicius de Moraes me uniu às belas figuras de Juliana Fiebig, Thiago Marques e Renato Munhoz.  Saravá, ô pá.
Falando deles, lembro de todo o Bando do Tiê Preto. A Bênção Tiê, à Mãe Ju Pilu e ao Pai Evandro.  A bênção à velha geração do bando, a res pública “Fogo-Fátuo”, Mery, Guerra, Cezico, Day, Lazo-Rei e Buiu. A bênção aos amigos desse tempo pré-mestrado, Priscila Santos e Felipe Munhoz. A bênção Djalma, à sua cumplicidade – na admiração pelos afro-sambas –, e Dona Adriana, por me fazer me sentir em casa em São Carlos.
Um salve para a geração mais nova do bando e, em especial, àqueles que dividiram teto, comida, companhia, aprendizados profundos de amor, verdade e virtude. Gratidão profunda a Fernanda Paes, nossa queridíssima Coração, e ao casal iluminado, Bia e Navas.
Também tive teto taiwanês, pleno de sabedoria. A Bênção Tsai, Min Lun e Mariana, Joana e Sandra, Constância e Teh, pelo exemplo e vivência de caridade, coração tranquilo e prática da Verdade.
A Bênção Leo La Selva! Sujeito responsável pela minha primeira audição de “Canto de Ossanha” na vida, lá em 2006! Gratidão, meu amigo, por esse começo e por todo o resto. Salve Julia Baggio, sua linda companheira, minha linda amiga.
A bênção Catavento! Grupo de estudos onde as questões e as dúvidas, o sentimento de coletividade, de alegria, frutificaram. Experiência compartilhada que me faz pensar que dentro da universidade ainda há espaço para o diálogo, discordância que constrói, sonhos a concretizar, ligação profunda entre aquilo que se pesquisa – e aquilo que se sente – e se é. Um salve especial Elisângela, guerreira e irmã pra vida toda... A Bênção, Geander, meu querido! A Bênção, Du Paiva, parceiro nas reflexões do samba e nas preciosas indicações (e empréstimos) bibliográficos! Neila, Mari, Luizão, Hezbolah. Todos os catinhas que já ventaram, ventam e ventarão.
A bênção linda família Adilson, Carol e Amarilis. A bênção amigos do Sebo Uraricoera! A bênção, lenda da UNESP Araraquara, o poeta – e gênio – Max Brandão!
Um salve para Vanessa Daufenback e as inquietações da disciplina “Política e Cultura”, assim como a preciosa indicação da dissertação de Daniela Santos sobre Os Mutantes, que me encorajaram a navegar, pelas Ciências Sociais, através das ondas da canção.
A bênção, companheiros de pós-graduação. A bênção à, tantas vezes parceira, Ariella. A bênção, eternos vizinhos Ettore Medina e Luciana Santos. Por falar em Vizinho, a bênção Pablo Polese e Giga!
A bênção, Dagoberto, por ter feito aquilo que era essencial – e na hora certa –, para que toda essa história se desenrolasse: acreditou em mim, mais do que eu mesma havia feito.
A bênção Henrique, da Seção de Pós-Graduação, pela infinita paciência e pela colaboração indispensável, nos mais diversos momentos. Agradeço também pelo sorriso amável e sempre carinhoso de Cleusa Nery, do Departamento de Antropologia, Política e Filosofia.
A bênção àqueles que compuseram a minha primeira banca, ainda na defesa da monografia, que gestou o projeto que pariu essa dissertação: Rafael e Edgar.
A bênção Luciane de Paula e Ana Lúcia Castro, pela contribuição imensa durante a qualificação, mais que conselhos teórico-metodológicos, instruções para toda uma vida...
A bênção menino Messa, Lucas Oliveira, que através da sua inquieta mente geminiana se interessou por minhas querelas de pesquisa e intermediou meu contato com Humberto Carlos, a quem também agradeço pela co-laboração intelectual.
A bênção Maiara, menina linda de toda a minha vida. A bênção Deni Rubbo, Aruana, Lisandra Amaral, Mariana Bergo, Heitor Branquinho e Cláudia Nunes, pelo teto e pela companhia, na Pauliceia Desvairada.
A bênção Laura Basoli, minha linda Basola. Sua aparição na minha vida é um verdadeiro presente. (Quem diria que essa dissertação de mestrado seria parida aqui, na Marília Vermelha, a sua cidade natal?) A Bênção Negão, Ivan Santos. O dia da tua despedida rumo ao Cabo Verde me marcou com a força do canto que une, evoca e traz pra perto. “Won’t you help to sing this song of freedoom?”
A Bênção Marina Butian e seu rebento Caê. A vivência de perto, suas histórias sobre o envolvimento com a Umbanda, seu sorriso ao nos ver cantando afro-sambas na Foguinho, tudo isso levo comigo, como fonte de motivação, entusiasmo e respeito. Gratidão, amiga.
A Bênção aos pesquisadores com quem entrei em contato, fosse pela procura, pelo acaso, ou simplesmente pela arte do encontro, ao longo da pesquisa e que se mostraram solícitos contribuindo com suas palavras, pensamentos e sentimentos: Alan Magalhães Pierre, Gabriel Improta, Andreia Mendes, Spirito Santo, Rafael Galante, Mariana Leal Barros, André Haudenschild, Frank Kuehn, Pedro Teixeira. Saravá.
Um salve e um cheiro à leoa Natália Conti, cujos olhos, que de há tanto me inspiram, leram atentamente essas linhas. Gracias pela correção, guerreira.
Um salve à dona CAPES, que apoiou dois anos de pesquisa. Salve, sobretudo, a essa gente brasileira que, com bons pedaços de suor de seu trabalho, torna possível que nossa pesquisa exista. A toda essa gente e aos que virão, nosso ato responsável, e toda nossa atitude.
A Bênção Roberto della Santa, querido, Betto. —”Ressoa ou Reverbera?”. A arte do encontro foi moldada em versos. Deles às canções e, então, à seta do deus-cupido Vinicius de Moraes. E fora bem ao seu modo: paixão, distância, querer, “se dar, pra poder amar”. Gratidão, pela primeira leitura atenta e analítica – tão cuidadosa – bem antes dos afetos nos pegarem desprevenidos. Gratidão pelo colo que acolheu o choro desesperado, as brisas boas – as epifanias narradas à queima-roupa –, o sorriso das pequenas vitórias. Gratidão pela atenção. Pelo carinho. Pelas contribuições bibliográficas. Pelas observações atentas. Pelas palavras sábias, que me lembravam sempre de que os problemas que enfrentamos são nossos, mas não só. Que somos parte desse mundo, e muito mais que isso. “Não (des)cuidamos do mundo um segundo sequer...”. Gratidão pelo nosso lar. Essa dissertação é um tanto sua. A bênção a esse amor-rebento que já anda de pé e corre belo, verdadeiro, justo, em direção ao Mar, ao Sol, ao Vento. E não se avexa.
A Bênção Baden Powell, pela força de criação e desafio. A Bênção Vinicius de Moraes, que se tornou muitas vezes um amigo muito mais presente que os amigos encarnados. Companhia nos sonhos, nos devaneios, no aprendizado diário. É, meu bom e velho Poetinha, gratidão por não me deixar esquecer – por um segundo que seja – do Amor. Saravá!
A bênção, Nossa Senhora, Mãe Maria e Maria Madalena!
Saravá, Preto Velho e Caboclo!
Saravá, Ogum! Saravá, Nanã! Saravá, Iansã!
A bênção, meu Anjo Guardião.
Gratidão pela acolhida e presença.
Graças a Deus! Muitas e muitas

Graças a Deus.